Mulher misteriosa...de cabelos negros e compridos...não fossem os seus 61 anos...lábios finos...sempre bem disposta e gentil...sempre pronta a ajudar o próximo...alma fantástica...excepto quando assumia a defesa de teses para as quais não detinha habilitações...
Honorata Gentil...manifestara mais uma vez o pior, ou único defeito que até agora lhe encontrava...quando Solato Olivera nela confidenciou a conversa que tivera com o Desembargador...
De repente assumiu com inusitada determinação a convicção a contra-argumentação dos assuntos do foro juridico descritos por Solato... como se de uma Belisina se tratasse...sim porque era impressionante como uma Pessoa com outro tipo de formação...e que até parecia ser equilibrada conseguia contrapor vigorosos argumentos ...que contrariavam as teses do Sr.Osório do Campo...
Porque meus Caros...Honorata acreditava em Lobisomens..e a quem acredita em Lobi...ooops...está interdita ab especie qualquer contra argumentação juridica..a não ser que o Dr.Osório do Campo fosse ele proprio a viva prova da existência dos Lobis...o que não devia ser, uma vez que passara a meia noite na companhia de Oliveira e nada tinha sucedido...
Seria talvez um Vampirozinho de trazer por casa...sugador de tempo e de teorias da batata estéril...
Eu odeio falta de modéstia...e sou absolutamente intolerante a qualquer tipo de manifestações de «ignorância atrevida»...a não ser que a própria argumentante admita sem esforço e o ressalve que dessa Matéria podem existir pessoas que mais saibam...
Honorata tinha pisado o risco já demasiadas vezes e eu que eu até a tinha admirado e gostaria de imitar em certos modos de ser....comecei a desenvolver a micro-bactéria da intolerância...que já se começava a manifestar num esgar esverdungado pro amarelo que o meu facias assumia quando a Senhorita Gentil, decidia esgrimir as suas convicções em campos que eu detinha maior grau de habilitação académico e de experiência...
Receava que a qualquer momento a sua constante presença...constante e inesperada no recesso do meu lar...ao qual acudia sob chamada do meu amigo Olivera me começasse a denunciar e pusesse cobro àquilo que podia ser o principio de uma bela Amizade...
Honorata Gentil tinha por certo iniciada o seu percurso budista...porque só assim eu conseguia encontrar justificação para o seu grau de paciência para com o Olivera que lhe atribuia as tarefas mais irritantes e demoradas ...e que ela desempenhava sempre de cara alegre e espirito de sacrificio.
domingo, 29 de agosto de 2010
II Capitulo dos 3 Js
O Juiz Desembargador Osório do Campo meneou a cabeça confirmando a sua anuência e aprovação...,Solato estava a adorar a conversa...nem bem sabia como se dera a feliz coincidência que resultara em toda aquela atenção por parte do Meretissimo...e quanto ele já aprendera com ele em escassas 2 horas de conversa contínua?!
O Homem era um portento Juridico! Como que a sua energia vital se tinha por fim canalizado para o Mundo do Direito de um modo absoluto...aliado à experiencia dos seus 85 anos e à sua lucidez, digamos que estava no ponto «G»....sem querer com esta referencia um pouco brejeira ofender o Sr.Dr.Osório do Campo.
Atormentava-o porém um pequeno pormenor que tinha surgido há dias...fruto do uso das novas tecnologias...uma antiga Colega de Faculdade...de nome Belisina tinha-lhe mandado um mail...ao que parece tinha-se dado ao trabalho de o encontrar e tentar o contacto e agora que este estava restabelecido...queria à viva força reencontrar o Antigo Colega...
«Eu acho que o Sr.Dr. não deve ir encontrar-se com ela!» afirmou peremptório o Solato...
«Ora,ora meu Caro...o sr.parece a minha mulher...ela acha que isto só pode ser fruto de uma curiosidade mórbida...eu acho que não...foi-me lançado um desafio...a minha vida actual é feita disto mesmo...de pequenos desafios e de grandes deambulações juridicas...actualmente até estou a orientar uns Advogados que querem anular uma escritura...é de caras!...»
E dai abandonava as deambulações liricas e recomeçava na «diarreia» juridica...e o Zé ouvia atentamente e quase que partilhava do fenomenal entusiasmo do Sr.Dr.Juiz....
Perto da porta passara de novo Orquidea de Mora a dona da Estalagem onde este episodio se desenrolava...Orquidea já não estava no seu «prime time»...acho que ultimamente até se desleixava voluntáriamente...é fantástico como fácilmente compreendemos os mitos e lendas associados às Mulheres Feiticeiras...as mulheres vivem mais que os homens...e enriquecem a sua personalidade de um modo diferente ao envelhecerem...o Juíz enveredara pelas suas paixões de juventude...a Lei e Belisina...e Orquidea pelo estudo do comportamento humano e pelo ocultismo...
A proximidade da eternidade...que o avançar da idade nos traz...fomenta uma curiosidade quase morbida pelo mundo novo que se aproxima...assim sentia Orquidea de Mora...de ascendencia espanhola....fruto...segundo contara do desvario de um dos Homens Ilustres da pequena aldeia de Iberia...o seu Avô...ou Trisavô...teria sido um dos Monges do Convento Eremita que florescera no meio daquela paisagem inóspita e deserta de almas...sabia-o por acaso...porque um dia fora visitar o convento...ou o que dele restara...e os seus olhos tinham caido sobre a imagem a óleo do Abade Mor...carinha chapada desta nossa Orquidea...verrugas e tudo...
Mais...numa dessas noites de verão que promovem o mistério e alimentam a imaginação ao passear pela mata que rodeava o eremitério...podia jurar que tinha sido possuida por uma alma do além que de tão familiar lhe tinha por fim confirmado as ilustres origens...
Tudo isto sabia Solato...mas não o Juiz Osório do Campo...embora nenhum dos dois suspeitasse que a boa senhora passara precisamente no momento em que do Campo confessara ao Zé que tinha de satisfazer a sua mórbida curiosidade de reencontrar Belisina...
Orquidea, discreta e habituada pelos anos de profissão a guardar os segredos dos hospedes mais indiscretos prosseguira para os seus aposentos, registando apenas com apreço a nova Amizade dos 2 homens.
Do quarto número«6» porêm veio ruído de passos e Solato que tinha a sua vetusta e respeitavel Senhora Mãe a seu cargo teve de se despedir apressadamente do Desembargador para acudir à insónia da sua progenitora!
«1.30 da manhã...como o tempo voa...meu caro Solato...gostava imenso de continuar este nosso «Tete-A_tete» mas tem razão é demasiado tarde...muito boa noite!»
«Muito boas noites senhor Dr.e até amanhã...muitissimo obrigada pelas suas palavras reconfortantes!»
Solato entrou no quarto «6»...a venerável senhora deambulava sem sono pelos aposentos...estava como era seu hábito disponivel e desperta para uma breve conversinha nocturna com um dos seus rebentos dilectos...
Em tempos ela própria tinha sonhado em se tornar Freirinha...casta e pura...dedicada ás orações...cumprira a sua missão de Mãe e de Mulher e agora via-se recompensada pelas crises de gota, dedos deformados...dores da cervical e lombar e pelas indisposições nocturnas...ás vezes pergunto-me se não tirava um pouco de gozo em provocar a intriga entre os filhos e não só...como não a tinha conhecido em jovem...apenas a podia avaliar pelas atitudes que tinha depois de ultrapassar a bonita idade de 70...altura mais ou menos em que a tinha encontrado pela primeira vez...sempre notara o zelo excessivo a dedicação quase doentia do Solato pela sua Mãezinha...com o tempo compreendera que em certos aspectos ele tinha razão...mas o modo obssessivo com que assumia a fiscalização das actividades da sua Progenitora faziam-me perder a paciência bastas vezes...e perder a serenidade e boa vontade...bastas vezes quem nos acompanha prejudica a nossa imagem e relação com o próximo e neste caso era óbvio que a obssessão do Solato tornava a Mãe D.Reencarnação Encarnada do Espirito Santo e Olivera...numa companhia fastidiosa e maçadora...receavamos sempre estar a arranjar lenha para o nosso próprio auto inquisitório...sim porque acredito piamente que esta senhora se possivel seria a reencarnação de Torquemada...que me perdoem o facto de poder estar a errar...a pobre mulher fustigada por sucessivos e graves desgostos permanecia agora uma entidade com algum porte...mas semelhante a um sinistro «sugador de almas» dos contos de J.K Rawlings...
Para a amparar tinha Solato contratado uma senhora de nome Honorata Gentil...muito bem avontadada...muito cordata e que acreditava em Lobisomens mas não em Vampiros...porque se lembrava que em miuda existiam homens que à meia noite se tornavam lobos...fantástico não?!
Esta senhora morava perto de Solato e era a acompanhante ideal para a sua Mãezinha Querida nos momentos em que ele não a podia afobar de atenções e cuidados...
Eu estava literalmente farta daquelas duas personagens...começara de novo a reagir de modo irracional às solicitações exageradas por parte do Solato...entrara na rotina do cansaço...deixara de tolerar Reencarnação Encarnada...Honorata Gentil e Solato...cada um a seu modo...e embora reconhecesse que todos eram boas pessoas...detestava as suas prepotências que me impediam de querer sequer auxiliar as pobres almas como qualquer pessoa de bem deveria fazer.
O Homem era um portento Juridico! Como que a sua energia vital se tinha por fim canalizado para o Mundo do Direito de um modo absoluto...aliado à experiencia dos seus 85 anos e à sua lucidez, digamos que estava no ponto «G»....sem querer com esta referencia um pouco brejeira ofender o Sr.Dr.Osório do Campo.
Atormentava-o porém um pequeno pormenor que tinha surgido há dias...fruto do uso das novas tecnologias...uma antiga Colega de Faculdade...de nome Belisina tinha-lhe mandado um mail...ao que parece tinha-se dado ao trabalho de o encontrar e tentar o contacto e agora que este estava restabelecido...queria à viva força reencontrar o Antigo Colega...
«Eu acho que o Sr.Dr. não deve ir encontrar-se com ela!» afirmou peremptório o Solato...
«Ora,ora meu Caro...o sr.parece a minha mulher...ela acha que isto só pode ser fruto de uma curiosidade mórbida...eu acho que não...foi-me lançado um desafio...a minha vida actual é feita disto mesmo...de pequenos desafios e de grandes deambulações juridicas...actualmente até estou a orientar uns Advogados que querem anular uma escritura...é de caras!...»
E dai abandonava as deambulações liricas e recomeçava na «diarreia» juridica...e o Zé ouvia atentamente e quase que partilhava do fenomenal entusiasmo do Sr.Dr.Juiz....
Perto da porta passara de novo Orquidea de Mora a dona da Estalagem onde este episodio se desenrolava...Orquidea já não estava no seu «prime time»...acho que ultimamente até se desleixava voluntáriamente...é fantástico como fácilmente compreendemos os mitos e lendas associados às Mulheres Feiticeiras...as mulheres vivem mais que os homens...e enriquecem a sua personalidade de um modo diferente ao envelhecerem...o Juíz enveredara pelas suas paixões de juventude...a Lei e Belisina...e Orquidea pelo estudo do comportamento humano e pelo ocultismo...
A proximidade da eternidade...que o avançar da idade nos traz...fomenta uma curiosidade quase morbida pelo mundo novo que se aproxima...assim sentia Orquidea de Mora...de ascendencia espanhola....fruto...segundo contara do desvario de um dos Homens Ilustres da pequena aldeia de Iberia...o seu Avô...ou Trisavô...teria sido um dos Monges do Convento Eremita que florescera no meio daquela paisagem inóspita e deserta de almas...sabia-o por acaso...porque um dia fora visitar o convento...ou o que dele restara...e os seus olhos tinham caido sobre a imagem a óleo do Abade Mor...carinha chapada desta nossa Orquidea...verrugas e tudo...
Mais...numa dessas noites de verão que promovem o mistério e alimentam a imaginação ao passear pela mata que rodeava o eremitério...podia jurar que tinha sido possuida por uma alma do além que de tão familiar lhe tinha por fim confirmado as ilustres origens...
Tudo isto sabia Solato...mas não o Juiz Osório do Campo...embora nenhum dos dois suspeitasse que a boa senhora passara precisamente no momento em que do Campo confessara ao Zé que tinha de satisfazer a sua mórbida curiosidade de reencontrar Belisina...
Orquidea, discreta e habituada pelos anos de profissão a guardar os segredos dos hospedes mais indiscretos prosseguira para os seus aposentos, registando apenas com apreço a nova Amizade dos 2 homens.
Do quarto número«6» porêm veio ruído de passos e Solato que tinha a sua vetusta e respeitavel Senhora Mãe a seu cargo teve de se despedir apressadamente do Desembargador para acudir à insónia da sua progenitora!
«1.30 da manhã...como o tempo voa...meu caro Solato...gostava imenso de continuar este nosso «Tete-A_tete» mas tem razão é demasiado tarde...muito boa noite!»
«Muito boas noites senhor Dr.e até amanhã...muitissimo obrigada pelas suas palavras reconfortantes!»
Solato entrou no quarto «6»...a venerável senhora deambulava sem sono pelos aposentos...estava como era seu hábito disponivel e desperta para uma breve conversinha nocturna com um dos seus rebentos dilectos...
Em tempos ela própria tinha sonhado em se tornar Freirinha...casta e pura...dedicada ás orações...cumprira a sua missão de Mãe e de Mulher e agora via-se recompensada pelas crises de gota, dedos deformados...dores da cervical e lombar e pelas indisposições nocturnas...ás vezes pergunto-me se não tirava um pouco de gozo em provocar a intriga entre os filhos e não só...como não a tinha conhecido em jovem...apenas a podia avaliar pelas atitudes que tinha depois de ultrapassar a bonita idade de 70...altura mais ou menos em que a tinha encontrado pela primeira vez...sempre notara o zelo excessivo a dedicação quase doentia do Solato pela sua Mãezinha...com o tempo compreendera que em certos aspectos ele tinha razão...mas o modo obssessivo com que assumia a fiscalização das actividades da sua Progenitora faziam-me perder a paciência bastas vezes...e perder a serenidade e boa vontade...bastas vezes quem nos acompanha prejudica a nossa imagem e relação com o próximo e neste caso era óbvio que a obssessão do Solato tornava a Mãe D.Reencarnação Encarnada do Espirito Santo e Olivera...numa companhia fastidiosa e maçadora...receavamos sempre estar a arranjar lenha para o nosso próprio auto inquisitório...sim porque acredito piamente que esta senhora se possivel seria a reencarnação de Torquemada...que me perdoem o facto de poder estar a errar...a pobre mulher fustigada por sucessivos e graves desgostos permanecia agora uma entidade com algum porte...mas semelhante a um sinistro «sugador de almas» dos contos de J.K Rawlings...
Para a amparar tinha Solato contratado uma senhora de nome Honorata Gentil...muito bem avontadada...muito cordata e que acreditava em Lobisomens mas não em Vampiros...porque se lembrava que em miuda existiam homens que à meia noite se tornavam lobos...fantástico não?!
Esta senhora morava perto de Solato e era a acompanhante ideal para a sua Mãezinha Querida nos momentos em que ele não a podia afobar de atenções e cuidados...
Eu estava literalmente farta daquelas duas personagens...começara de novo a reagir de modo irracional às solicitações exageradas por parte do Solato...entrara na rotina do cansaço...deixara de tolerar Reencarnação Encarnada...Honorata Gentil e Solato...cada um a seu modo...e embora reconhecesse que todos eram boas pessoas...detestava as suas prepotências que me impediam de querer sequer auxiliar as pobres almas como qualquer pessoa de bem deveria fazer.
terça-feira, 24 de agosto de 2010
A Oliveira ,o Teixo e o Jacinto...
O TEIXO
Parte I
Solato correu pelo Olival fora...atrás dos irmãos...eram 3....atrás do pobre do Mocho...que por obra de uma coincidência apenas Divina se encontrava acordado áquelas horas do dia...completamente desgovernado e estonteado pela garotada que gritava como loucos atrás dele...
«Que diabo...pensou o Mocho!? Rais partiçem estes petizes histéricos que se lembraram de vir para aqui a estas horas...e que raio de coisa me terá dado para ter aqui adormecido bem ao alcance destes selvagens!»
«Ó Sol corre...corre...ele vai para o lado direito! Cooooooorrreeeee que o apanhamos!...gritava o mais pequeno de todos....
E SOl fazendo das tripas coração...com os seus canivetes magritos e os seus pulmões meio saturados de antibiótico conseguia bem fazer frente ao desafio....o ar fresco do Olival entrava-lhe directo para os alveolos...o sangue renovava e afluia com toda a energia que só mesmo um corpo infantil pode ter...uma centelha maravilhosa de energia Divina...de fluxos magnéticos...de alegria!
A OLIVEIRA
Parte I
Sentou-se plácidamente junto ao ribeiro...as águas corriam tão cristalinas...tão puras...aqui além ía finalmente ver um Teixo...tinha esperado tantos anos por satisfazer a sua curiosidade e finalmente verificar a origem do nome que tinha...
Acabara de tirar uma foto a uma pequena cobra de água...linda e luzidia...que se tinha revelado entre as pedras da margem...olhou para o sol de fim de tarde...os seus olhos dourados que quase faziam lembrar os de um lobo recebiam os reflexos de despedida do Astro...pareceu-lhe ver um mocho a esvoaçar....mas ainda era um pouco cedo demais para mochos....
O JACINTO
Parte I
Entre as raízes do Teixo com o seu hábito castanho de Franciscano fazia as ultimas correcções no livro que pretendia publicar...era de todos os personagens de quem falei o mais belo...talvez de alma também...Maktub poder-se-á dizer...já que mesmo na mitologia greco-romana, este nome está associado ao belo Jacinto, tão amado por Apolo.
O seu livro versava sobre áreas complexas da mente humana...
De todos aqueles sobre os quais trata esta história, também é aquele que menos conheço...
De toda esta história temos nomes e relações de nomes que vão ao profundo nacional...somos o verdadeiro mix mediterrânico....e sendo eu própria a matriz quase morta de frutos e de sentimentos...quase me revendo no destino de Luna que se acabará por entrelaçar com o destes 3 homens.
Alguns links relacionados:
Parte I
Solato correu pelo Olival fora...atrás dos irmãos...eram 3....atrás do pobre do Mocho...que por obra de uma coincidência apenas Divina se encontrava acordado áquelas horas do dia...completamente desgovernado e estonteado pela garotada que gritava como loucos atrás dele...
«Que diabo...pensou o Mocho!? Rais partiçem estes petizes histéricos que se lembraram de vir para aqui a estas horas...e que raio de coisa me terá dado para ter aqui adormecido bem ao alcance destes selvagens!»
«Ó Sol corre...corre...ele vai para o lado direito! Cooooooorrreeeee que o apanhamos!...gritava o mais pequeno de todos....
E SOl fazendo das tripas coração...com os seus canivetes magritos e os seus pulmões meio saturados de antibiótico conseguia bem fazer frente ao desafio....o ar fresco do Olival entrava-lhe directo para os alveolos...o sangue renovava e afluia com toda a energia que só mesmo um corpo infantil pode ter...uma centelha maravilhosa de energia Divina...de fluxos magnéticos...de alegria!
A OLIVEIRA
Parte I
Sentou-se plácidamente junto ao ribeiro...as águas corriam tão cristalinas...tão puras...aqui além ía finalmente ver um Teixo...tinha esperado tantos anos por satisfazer a sua curiosidade e finalmente verificar a origem do nome que tinha...
Acabara de tirar uma foto a uma pequena cobra de água...linda e luzidia...que se tinha revelado entre as pedras da margem...olhou para o sol de fim de tarde...os seus olhos dourados que quase faziam lembrar os de um lobo recebiam os reflexos de despedida do Astro...pareceu-lhe ver um mocho a esvoaçar....mas ainda era um pouco cedo demais para mochos....
O JACINTO
Parte I
Entre as raízes do Teixo com o seu hábito castanho de Franciscano fazia as ultimas correcções no livro que pretendia publicar...era de todos os personagens de quem falei o mais belo...talvez de alma também...Maktub poder-se-á dizer...já que mesmo na mitologia greco-romana, este nome está associado ao belo Jacinto, tão amado por Apolo.
O seu livro versava sobre áreas complexas da mente humana...
De todos aqueles sobre os quais trata esta história, também é aquele que menos conheço...
De toda esta história temos nomes e relações de nomes que vão ao profundo nacional...somos o verdadeiro mix mediterrânico....e sendo eu própria a matriz quase morta de frutos e de sentimentos...quase me revendo no destino de Luna que se acabará por entrelaçar com o destes 3 homens.
Alguns links relacionados:
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Luna a Louca
Um dia, algures num Tribunal distante e perdido no vazio da imaginação de qualquer um de nós...houve uma audiência fantasma...
O Juiz, o Procurador...e uma Mulher a quem decidiram rotular de «A Louca»...
De facto a Mulher vestia de preto...tinha um olhar vazio e triste...os cabelos escorriam sem brilho pelas costas...a sua pele era pálida e as mãos divagavam em miriades de tiques incompreensíveis...não sorria.
Quando falava a voz saia de modo pouco timbrado e inexpressivo...
Não chorava...
Não sentia...
Enquanto os olhos do Juiz e do Procurador brilhavam...os olhos da mulher pareciam a janela para uma alma transparente e sem história.
E quando respondia às perguntas feitas alternadamente por um e por outro...as palavras saiam brancas...como se nem palavras fossem...como se fossem palavras escritas num velho diccionário daqueles já amarelados que ninguém se interessa em consultar...
O Juiz pausadamente registava as respostas que a mulher fantasma emitia para o eter...e dava-lhes talvez o sentido que nelas via...ou colava-lhes em nota de rodapé a pequena etiqueta que alguém algures tinha decidido colar à alma da Mulher a quem a partir de agora vou chamar Luna.
Luna tinha a doença dos Deuses...a doença que afligira Julio Cesár e outras personagens históricas...e tinha a doença que a nossa sociedade impõe aos esquecidos, aos pobres, aos que não tem a sorte de ter um vencimento ao fim do mês...aos que nasceram sem ser desejados...
Mas a Luna acrescia o sintoma de de tempos a tempos explodir...nela se digladiavam conceitos inconciliaveis....tristezas profundas...sonhos por realizar e tudo isso a tornava distante e reservada...como se fosse uma especie de Muralha da China que erguera para se salvaguardar de mais dissabores.
Tinha-se apaixonado...ou não...não parecia ter essa capacidade...pelo menos se estivessemos apenas em frente dela durante escassos 45 minutos....
Dessa paixão...tinha nascido uma criança...
O problema todo porém era ser pobre e consciente...tinha ficado com tanto receio de perder a criança ou de a prejudicar por ser doente que tinha procurado auxilio social e nessa sequência o pior dos seus receios tinha-se concretizado...recebeu ordem do Tribunal para entregar a criança a uma instituição de acolhimento apropriado...
Se não tivesse pedido auxilio nada disso teria sucedido...pensava ela...e pensavamos todos nós...e os olhos vazios de luar vagueavam pelo eter sem sentido e sem local onde poisar...mas olhava o Procurador de frente quando completamente sózinha e de pé a avaliavam de alto a baixo...em circunstâncias em que qualquer ser humano normal poderia claudicar pela pressão...ela mantinha a serenidade do seu coração vazio de emoções...
Eu não gostei de Luna quando a conheci...assustou-me a sua história...o seu vazio...e por isso mesmo senti que devia ajudá-la.
Há sempre duas faces de uma moeda...e o ingrato papel dos Juízes é decidir qual é aquele sobre o qual pende maior número e qualidade de provas...não se pode decidir ao acaso...mas o ser humano é um fervilhar de bondade e de maldade...e bastas vezes quem tem razão não tem prova e quem não a tem prova tem...
Luna não tinha prova...não sei se tinha razão...
O Juiz, o Procurador...e uma Mulher a quem decidiram rotular de «A Louca»...
De facto a Mulher vestia de preto...tinha um olhar vazio e triste...os cabelos escorriam sem brilho pelas costas...a sua pele era pálida e as mãos divagavam em miriades de tiques incompreensíveis...não sorria.
Quando falava a voz saia de modo pouco timbrado e inexpressivo...
Não chorava...
Não sentia...
Enquanto os olhos do Juiz e do Procurador brilhavam...os olhos da mulher pareciam a janela para uma alma transparente e sem história.
E quando respondia às perguntas feitas alternadamente por um e por outro...as palavras saiam brancas...como se nem palavras fossem...como se fossem palavras escritas num velho diccionário daqueles já amarelados que ninguém se interessa em consultar...
O Juiz pausadamente registava as respostas que a mulher fantasma emitia para o eter...e dava-lhes talvez o sentido que nelas via...ou colava-lhes em nota de rodapé a pequena etiqueta que alguém algures tinha decidido colar à alma da Mulher a quem a partir de agora vou chamar Luna.
Luna tinha a doença dos Deuses...a doença que afligira Julio Cesár e outras personagens históricas...e tinha a doença que a nossa sociedade impõe aos esquecidos, aos pobres, aos que não tem a sorte de ter um vencimento ao fim do mês...aos que nasceram sem ser desejados...
Mas a Luna acrescia o sintoma de de tempos a tempos explodir...nela se digladiavam conceitos inconciliaveis....tristezas profundas...sonhos por realizar e tudo isso a tornava distante e reservada...como se fosse uma especie de Muralha da China que erguera para se salvaguardar de mais dissabores.
Tinha-se apaixonado...ou não...não parecia ter essa capacidade...pelo menos se estivessemos apenas em frente dela durante escassos 45 minutos....
Dessa paixão...tinha nascido uma criança...
O problema todo porém era ser pobre e consciente...tinha ficado com tanto receio de perder a criança ou de a prejudicar por ser doente que tinha procurado auxilio social e nessa sequência o pior dos seus receios tinha-se concretizado...recebeu ordem do Tribunal para entregar a criança a uma instituição de acolhimento apropriado...
Se não tivesse pedido auxilio nada disso teria sucedido...pensava ela...e pensavamos todos nós...e os olhos vazios de luar vagueavam pelo eter sem sentido e sem local onde poisar...mas olhava o Procurador de frente quando completamente sózinha e de pé a avaliavam de alto a baixo...em circunstâncias em que qualquer ser humano normal poderia claudicar pela pressão...ela mantinha a serenidade do seu coração vazio de emoções...
Eu não gostei de Luna quando a conheci...assustou-me a sua história...o seu vazio...e por isso mesmo senti que devia ajudá-la.
Há sempre duas faces de uma moeda...e o ingrato papel dos Juízes é decidir qual é aquele sobre o qual pende maior número e qualidade de provas...não se pode decidir ao acaso...mas o ser humano é um fervilhar de bondade e de maldade...e bastas vezes quem tem razão não tem prova e quem não a tem prova tem...
Luna não tinha prova...não sei se tinha razão...
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